Vamos olhar para a Parashá Ki Tissá a partir da perspectiva Netzarim — os primeiros seguidores
de Yeshua, reconhecidos historicamente como uma corrente judaica que via (e ainda vê) nele a figura do Mashiach, mas que permanecia e permanece até os dias de hoje enraizada na Torá e nas tradições judaicas.Nota
histórica e atual: No Brasil, os Netzarim mais fidedignos às
origens históricas estão espalhados por diversas regiões do país. A sede
principal encontra-se em Belém/PA, na Sinagoga Beyt Bnei Avraham
— uma comunidade bem estruturada que cumpre com todas as exigências Netzarim de
Israel, preservando a prática autêntica e fiel às raízes judaicas.
- O meio-shekel:
cada israelita contribui igualmente para o Mishkan.
- O Shabat: reafirmado como
sinal eterno entre Hashem e Israel.
- O bezerro de ouro:
queda espiritual do povo.
- Intercessão de Moshe:
pedido de perdão e renovação da aliança.
- Novas Tábuas:
Hashem concede uma segunda chance.
🌿 ENSINAMENTOS À LUZ DOS NETZARIM
- Igualdade diante de Deus
O meio-shekel mostra que todos têm o mesmo valor diante de Hashem. Os Netzarim viam em Yeshua a confirmação dessa igualdade: “Não há judeu nem grego… todos são um” (Gálatas 3:28).
- Shabat como sinal eterno
A Parashá enfatiza que nem mesmo a construção do Mishkan substitui o Shabat. Os Netzarim continuavam a guardar o Shabat, vendo nele um sinal da criação e da redenção futura.
- O perigo da idolatria
O bezerro de ouro é um alerta contra substituir o Deus vivo por obras humanas. Yeshua ensinou que o coração deve ser puro e não dividido (Mateus 6:24). Para os Netzarim, idolatria não era apenas imagens, mas qualquer coisa que toma o lugar da obediência a Hashem.
- Intercessão e mediação
Moshe intercede pelo povo; Yeshua é visto pelos Netzarim como o “novo Moshe”, que intercede e traz expiação definitiva (Hebreus 7:25).
- Renovação da aliança
As segundas Tábuas simbolizam que Hashem não abandona Seu povo. Os Netzarim entendiam Yeshua como trazendo a “Nova Aliança” prometida pelos profetas (Jeremias 31:31), escrita nos corações.
✨ Aplicação prática
Para os Netzarim, Ki Tissá
ensina que:
- A queda não é o fim: sempre há caminho de
retorno (teshuvá).
- A aliança é renovada não por mérito
humano, mas pela fidelidade de Hashem.
- Yeshua é visto como a expressão máxima
dessa renovação, trazendo perdão e um “coração novo”.
- Tanakh
/ Profetas
- Jeremias
31:6: “Pois haverá um dia em que gritarão os Notzerim
sobre o monte de Efraim: Levantai-vos, e subamos a Sião, ao YHWH nosso
Elohim.”
- Isaías
11:1: “Do tronco de Jessé sairá um ramo (netzer),
e das suas raízes um rebento frutificará.”
→ Aqui está a raiz bíblica do termo Netzarim, ligado ao “remanescente” e ao “broto messiânico”. - Brit
Hadashá / Novo Testamento
- Atos
24:5: Paulo é acusado de ser “cabeça da seita dos
nazarenos” (hairesis tōn Nazōraiōn).
→ Mostra que os primeiros discípulos eram conhecidos como Nazarenos, uma corrente dentro do judaísmo. - Epifânio
de Salamina (século IV)
- Em
sua obra Panarion, descreve os Nazarenos como judeus que criam em
Yeshua como Messias, mas continuavam a observar a Torá e as tradições
judaicas.
→ Ele os distingue dos “ebionitas”, ressaltando que os Nazarenos mantinham fidelidade à Lei. - Eusébio
de Cesareia (século IV)
- Em
sua História Eclesiástica, Eusébio menciona que os discípulos de
Yeshua eram inicialmente chamados de Nazarenos, e que esse nome
continuou a ser usado por muito tempo.
→ Ele confirma que os seguidores de Yeshua eram vistos como uma seita judaica distinta, não como uma nova religião separada. - Jerônimo
(século IV–V)
- Em
seus comentários bíblicos, Jerônimo fala dos Nazarenos como judeus que
aceitavam Yeshua como Messias, mas continuavam a viver como judeus,
guardando o Shabat e as festas.
📍 Edição
e montagem deste Shiur: Família Bnei Avraham



